"Eles juntaram-se na treva para pensar e reflectir. Foi assim que vieram a decidir qual o material correcto para a criação do homem."
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Sombra Fresca da Terra
Gostava que cantasses, mãe Debaixo da rocha, e na falta que nos faz Os que partiram estarem.
Gostava que cantasses, mãe No cruel abandono dos bosques Onde pernoita o horror E soltasses de ti Uma ‘sperança, um fulgor, Uma luz contínua e escorrida Que acreditasse o amor.
Gostava que cantasses, mãe Nas lágrimas, dos macacos-narigudos Morcegos-raposa e folhas de palmeira, No rio, que chilreia, Na cidade com dor-de-peito, E no solitário que dorme Sem leito.
Gostava que cantasses, mãe As palavras de consolo, De toda a fatalidade, inexorável Ou me soltasses do mundo Como o que sou, um projecto Irrealizável, e que passou.
Gostava que cantasses, mãe Existir eu, e em mim nem tu Nem ninguém.
Da tua flor a tintura da vida, da tua canção a sombra fresca na terra. Morre a águia e morre o tigre, e cobrirás a pincelagem primeira, da amizade, da nobreza, do amor fraterno, com a sombra negra da terra.
Uma larga plumagem é o teu coração, e de puro jade é a tua palavra, ó Pai!
Tende piedade de mim e sobre mim pousai um olhar misericordioso, porque será por um momento breve, como, em oferta à Mãe Morte, abrem os frutos azuis os corais de flor e canção.
Blood Gatherer
We shall not for ever die; even the grains of corn we put under the earth grow up and become living things.
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