domingo, 16 de agosto de 2009

Luz Serpenteante




Liza Minelli sintetizada em Siouxie Sioux para estética de final de milénio




Literatura Obscura Medieval do Século XVIII (E a Escola Inglesa)

O gótico começa com a desilusão para com as ideias racionalistas, a tribo sentimentalista, de sonhadores que estão contra o materialismo e a favor do iluminismo (embora o desafiasse pela exposição sem pudor do caos) - a estudar também o estilo barroco. Surge em oposição à filosofia neoclássica, e buscava os temas mais reprimidos da psique humana, os seus medos, aproximando o simbólico e o obscuro, o verificavel e o sobrenatural. Politicamente, repare-se no significado do seguinte: padres malignos em catedrais misteriosas, e ariostocratas maléficos em castelos abandonados.

A arquitectura dos espaços dos homens é claustrofóbica, e a natureza exalta o terror pela vastidão.


Século XVIII:
O Castelo de Otranto (1764), de Horace Walpole
The Old English Baron, a gothic story (1777)
The Recess; or, A Tale of Other Times (1783-1785)
Charlotte Smith, autora de Emmeline
The Orphan of the Castle (1788)
The Castle of Wolfenbach (1793)
The Mysterious Warning (1796)
Clermont (1798)
The Orphan of the Rhine(1798)
Zofloya, or, The Moor: A Romance of the Fifteenth Century (1806)
Vathek (1786)
Anne Ward Radcliffe (1764-1823)
The Castles of Athlin and Dunbayne (1789)
A Sicilian Romance (1790)
The Romance of the Forest (1791)
The Mysteries of Udolpho (1794)
The Italian, or The Confessional of the Black Penitents (1797)
Northanger Abbey (1818), Jane Austen
The Monk (1796)
Les Crimes D'Amour (1800)
The Pursuits of Literature (1796), de T. J. Matthias
Melmoth, the wanderer (1820)
Frankenstein, or The Modern Prometheus (1820)
The Strange Case of Dr. Jeckill and Mr. Hyde (1886)
The Island of Dr. Moreau (1896), de H. G. Wells
Dracula (1897) de Bram Stoker
Carmilla (1872)
The Picture of Dorian Gray (1891) escrito por Oscar Wilde
Edith Birkhead (1921) The Tale of Terror.
Montague Summers (1938) Gothic Quest
Devendra Varma (1957) The Gothic Flame
Victor Sage (1985) Horror Fiction in the Protestant Tradition
David Punter (1996) The Literature of Terror
Maggie Kilgour (1995)The Rise of the Gothic Novel, Routledge
Fred Botting (1996) Gothic, Routledge




O Romantismo do Século XIX (E a Escola Francesa)

O Romantismo do século XIX (eu sei, a importancia alemã), que, de intelectualidade rebelde, buscava o nacionalismo, o individualismo, o drama humano, condecorado de lirismo e de subjectividade. Aqui busca-se o exótico, o selvagem, a liberdade... O romantico idealizava uma sociedade à imagem da sua alma, exaltava a mulher, e procurava escapar à realidade.

A natureza é utilizada neste movimento de forma a exaltar os sentimentos e os paraísos artificiais florescem.

Continuando em França, o impressionismo, em que o que o homem vê não são os objectos mas a luz (preste-se atenção a isto), passando então a pintar não em estúdio mas ao ar livre, e o expressionismo, mais preocupado com a interiorização da arte do que com a sua exteriorização, dando-se importância à mensagem oculta de cada obra. Nos anos 20 de Paris o surrealismo, centrado no psicológico, liberto da lógica e da razão, para lá do quotidiano e boca aberta do inconsciente. Aqui a rejeição a valores estáticos como pátria, família, religião, trabalho e honra, realçando e louvando um novo elemento, o humor. Começa a escrita automática e um ingrediente comunista, a arte é dos homens comuns, não dos génios.

No século XX o modernismo, que clama que as formas tradicionais de arte foram ultrapassadas, golpe desferido pelos impressionistas e simbolistas (eu sei, a importância alemã), e por Nietzsche (que matou Deus) depois Freud (que nos diz que as impressões do exterior advêem dos impulsos interiores e que assim o exterior não é absoluto e por si mesmo) e Jung com o seu inconsciente e o seu inconsciente colectivo. A ideia era que, em vez de re-aproveitar as técnicas antes conseguidas, se começasse inteiramente de novo (em paralelo com o advento da teoria da relatividade na fisica, por exemplo, e portanto num panorama em que a realidade perdera a solidez).

Continuando com os franceses, explore-se a cultura de cabaret com o seu teatro, as suas comédias, canções e danças, as mulheres e a volúpia, o criticismo e a liberdade de expressão.



Do Romantismo:
Francisco Goya
Bocage
Sturm und Drang
Arte moderna de Giulio Carlo Argan
Eugène Delacroix
William Turner
William Blake
Edward Young
James Thomson
William Cowper
Robert Burns
Byron
Shelley
Keats
Goethe
Schiller
Herder
Friedrich Schlegel
Novalis
Friedrich Hölderlin
Stendhal
Victor Hugo
Musset
Leopardi
Manzoni
Almeida Garrett
Alexandre Herculano
José Espronceda
José Zorilla
José de Alencar
Walter Scott
Balzac
Beethoven
Chopin
Tchaikovsky
Felix Mendelssohn
Liszt
Grieg
Brahms
Verdi
Wagner
Pucinni
António Feliciano de Castilho
Camilo Castelo Branco
Soares de Passos
Júlio Dinis
João de Deus
Gonçalves de Magalhães
Gonçalves Dias
Álvares de Azevedo
Casimiro de Abreu
Fagundes Varela
Junqueira Freire
Castro Alves



Modernismo:
Macunaíma
Klaxon
Antropofagia
Friedrich Nietzsche
Søren Kierkegaard
Sigmund Freud
Carl Jung
Salon des rejects
Manet
Stéphane Mallarmé
Torre Eiffel
industrialização
Gustav Mahler
Gustave Flaubert
Arnold Schoenberg
Kandinsky
Der blaue Reiter
cubismo
Picasso
Georges Braque
Joseph Conrad
Virginia Woolf
James Joyce
T.S. Eliot
Erza Pound
Wallace Stevens
Guillaume Apollinaire
Joseph Conrad
Marcel Proust
Gertrude Stein
Wyndham Lewis
Marianne Moore
William Carlos Williams
Franz Kafka
Igor Stravinsky
Matisse
Mondrian
Le Corbusier
Mies van der Rohe
Walter Gropius
Frank Lloyd Wright
John Maynard Keynes


Expressionismo:
Mendelsohn
Die Brücke
Van Gogh
Edvard Munch
art noveau
Paul Klee
Henri Matisse
Paul Gauguin
Ernst Ludwig Kirchner
Emil Nolde
Bauhaus
advento da abstração
Vassíli Kandínski
August Macke
Diego Rivera
Jackson Pollock


Impressionismo:
Impressão, nascer do sol (1872)
Claude Monet
A luz e o movimento
Edgar Degas
Renoir
Edouard Manet
Washington Maguetas


Surrealismo:
Max Ernst
René Magritte
Salvador Dalí
André Breton
Luis Buñuel
Guillaume Apollinaire
Paul Éluard
Louis Aragon
Benjamin Péret
Jacques Prévert
Alberto Giacometti
Antonin Artaud
Juan Miró


Cabaret:
Josephine Baker
Madame Satã
Le Chat Noir
Moulin Rouge
La Goulue
Yvette Guilbert
Jane Avril
Mistinguett
Le Pétomane
Henri de Toulouse-Lautrec
Folies-Bergère
Charles Aznavour
Jacques Brel
Serge Gainsbourg
Edith Piaf
The Swingle Singers
Buntes Theater
Werner Finck - Katakombe
Karl Valentin - Wien-München,
Claire Waldoff
Kurt Tucholsky
Erich Kästner
Klaus Mann
Marlene Dietrich
Karl Farkas
Werner Finck
Dora Gerson
Dieter Hildebrandt
Erich Kästner
Ute Lemper
Klaus Nomi
Dieter Nuhr
Volker Pispers
Alf Poier
Gerhard Polt
Jura Soyfer
Kurt Tucholsky
Karl Valentin
Karin Berri
Tineke Schouten
Bert Visscher
Najib Amhali
Brigitte Kaandorp
Wim de Bie
Louis Davids
Sanne Wallis de Vries
Freek de Jonge
Herman Finkers
Javier Guzman
Raoul Heertje
Youp van 't Hek
Toon Hermans
Wim Kan
Kees van Kooten
Theo Maassen
Wim Sonneveld
Hans Teeuwen
Jochem Myjer
Hans Liberg
Claudia de Breij
Karen Akers
Joséphine Baker
Kaye Ballard
Laurie Beechman
Ann Hampton Callaway
Liz Callaway
Peter Cincotti
Rosemary Clooney
Bob Dorough
Michael Feinstein
Ella Fitzgerald
Murray Grand
Hildegarde
Billie Holiday
Lena Horne
Eartha Kitt
Nancy LaMott
Peggy Lee
Jay Leonhart
Dorothy Loudon
Amanda McBroom
Susannah McCorkle
Carmen McRae
Bette Midler
Liza Minnelli
Mark Murphy
John Pizzarelli
Faith Prince
Kenny Rankin
Annie Ross
Bobby Short
Nina Simone
Frank Sinatra
Jeri Southern
Barbra Streisand
Elaine Stritch
Julie Wilson
The Butterfly Club
Le Lido
Lapin Agile
Cabaret Voltaire
Tropicana
The Blue Angel
Can Can



Os Beatniks (e a Escola Americana)

Agora na América (mas ainda baseado na boémia francesa), os Beatniks, 1950-1960, um grupo de escritores, cujas características se provavam pela obscenidade alargando as permissões da censura. Boémios hedonistas que celebravam a espontaneadade criativa, eram viscerais nas suas palavras e no experimento da combinação das suas palavras, procurando através disto um entendimento espiritual aprofundado.


Geração Beat:
Howl (1956) de Allen Ginsberg
Naked Lunch (1959) de William S. Burroughs
On the road (1957) de Jack Kerouac
Neal Cassady

Ecos da Geração Beat:
Hippies
Punks




Os Oitenta e os Noventa

Nos oitenta, começa a aparecer a música, que continua nos 90 e então se difunde um pouco nos derivados do Metal: Gothic Metal, Doom Metal, Metal Sinfonico e Dark Ambient.


Anos oitenta e noventa:
Joy Division
Bauhaus
The Sisters of Mercy
Siouxsie and The Banshees
Alien Sex Fiend
London After Midnight
Faith and Muse
Clan of Xymox
e.t.c.





Cinema:

Faltou falar das influências no cinema, embora muito esteja incluído no expressionismo:

Temos Georges Melies, o ilusionista, que começou a filmar em 1896:

The Devil's Castle

The Lady Vanishes

L'Éclipse du soleil en pleine lune

The Magic Lantern

Infernal Cakewalk

Le Monstre

La Cornue Infernale

Le Chauldron Infernale

Evocation Spirite

Le Voyage Dans La Lune

Les Cartes Vivants




Em 1910, a primeira versão em filme de Frankenstein.

Robert Winer com o O Gabinete do Dr.Caligári.

Fritz Land com o Vampiro de Dusseldrof.

O Der Golem, o Estudante de Praga, e o Alraune (ao estilo de Frankenstein, a menina é uma experiência) de Paul Weneger.

O Corcunda de Notre Damme.

Dr. Jekyll and Mr. Hyde.

The Hound of Baskervilles.

O Nosferatu de Murnau.

O Dracula de Bram Stoker.

O Dracula de Bela Lugosi, The Devil Bat, White Zombie, The Wolfman.

Phantom of the Opera.

The Blackbird.

O London After Midnight, que infuenciou a banda. The Magician.

The Mummy.

I Walked With a Zombie.

Cat People.

Vampyr.

Freaks.

Entrevista com o Vampiro.


As listas não estão, obviamente, completas.


A subcultura, culta, apenas dispersa, não unida, sem a devida capacidade para causar uma mudança social significativa, ainda que, cada vez mais, conquistando espaço. Aqui os eruditos encantados, os cientistas feiticeiros, os pensadores do apocalipse, suficientemente atentos para clamar: uma alma sensível encontra beleza mesmo no terror dos destroços, e da ruína da sua época e da sua civilização ela ergue o intelecto e a luz como uma chama impossível de extinguir.




Curiosidades
1:
Lembrem-se que Streisand começou nos cabarés. Aprendeu o estado de "diva" com as drag queens e tinha um público vasto de fãs homosexuais que frequentavam os locais de cabaré.

O Frank Sinatra e o seu jazz não são propriamente música de cabaré, no entanto o cabaré era uma temática que expunha, e movia-se dentro do meio, actuando também em cabarés. Muita da música de cabaré pode até ser ouvida em clubes de jazz, a diferença sendo que o cantor de cabaré se foca no teatro musical e no caracter intimista (e nisto o Sinatra podia ser um expert).

A Garland fazia cabaré, entre as coisas pelas quais é famosa.


2:
Tolouse-Lautrec

Frequentador assíduo do Moulin Rouge e outros cabarés, o pequeno nobre acaba se acomodando muito bem naquele ambiente tão estranho que seus pais nunca aceitaram em ter o filho. O tema principal das pinturas de Toulouse-Lautrec era a vida boémia parisiense, que ele representava através de um desenho que lembra a espontaneidade do desenho satírico de Honoré Daumier, e uma composição dinâmica que poderia ter sido influenciada pela fotografia e as gravuras japonesas, dois fatores de grande importância cultural no fim do século XIX.

Era atraído por Montmartre, uma área de Paris famosa pela boemia e por ser antro de artistas, escritores, filósofos. Escondido no coração de Montmartre estava o jardim de Pere Foret onde Toulouse-Lautrec pintou uma série de óleos sobre tela ao ar livre de Carmen Gaudin (a modelo ruiva que aparece no quadro "A Lavadeira" de 1888). Quando o cabaré Moulin Rouge abriu as portas ali perto, Toulouse-Lautrec foi contratado para fazer cartazes. Posteriormente ele passou a ter assento cativo no cabaré, onde suas pinturas eram expostas. Nos muitos conhecidos trabalhos que ele fez para o Moulin Rouge e outras casas noturnas parisienses estão retratadas a cantora Yvette Guilbert, a dançarina Louise Weber, mais conhecida como a louca e cativante La Goulue("A Gulosa"), a qual criou o cancan francês, e também a mais discreta dançarina Jane Avril.


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3:
O Anjo Azul

O Anjo Azul mergulha nas entranhas da degradação e da decadência do ser humano sem dó nem piedade. A atmosfera turva e cativante é bastante peculiar para um cineasta bebedor do expressionismo alemão, e é nesse clima sombrio e pesado que Sternberg constrói a sua história, a partir do belíssimo argumento de Robert Liebmann. Mas, sem dúvida, estamos diante de um filme onde a categoria do seu director é o grande destaque.

(...)

A rigor, percebemos que, com o decorrer da metragem, Sternberg homenageia Murnau e seu Fausto - alguém pode encontrar um pouco do humor efêmero de Aurora. Temos, no entanto, um filme com personalidade, que fala por si, que exalta alegrias, emoções e tristezas. Há, também, alusões eróticas impensáveis para a época (Marlene Dietrich, em optimo desempenho, dança e canta com poucas peças de roupa sob seu corpo perfeito).


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4:
Vaudeville


Vaudeville foi um gênero de entretenimento de variedades predominante nos Estados Unidos e Canadá do início dos anos 1880 ao início dos anos 1930. Desenvolvendo-se a partir de muitas fontes, incluindo salas de concerto, apresentações de cantores populares, "circos de horror", museus baratos e literatura burlesca, o vaudeville tornou-se um dos mais populares tipos de empreendimento dos Estados Unidos. A cada anoitecer, uma série de números eram levados ao palco, sem nenhum relacionamento dire(c)to entre eles. Entre outros, músicos (tanto clássicos quanto populares), dançarina(o)s, comediantes, animais treinados, mágicos, imitadores de ambos os sexos, acrobatas, peças em um único a(c)to ou cenas de peças, atletas, palestras dadas por celebridades, cantores de rua e filmetes.



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Sugestão do Dia:



sábado, 8 de agosto de 2009

Promessas 2 *

Orpheus, Jean Delville, 1893




Em ti vislumbro toda a vontade de viver e toda a dor de não se crescer à medida da alma. Depois pela tua questão cheguei a ti, embora tu não a mim. Interrogavas-te sobre a minha religião, sem mesmo me haveres ainda conhecido, quando conhecer-me é morrer.

Minha é a religião que rejeita todos os credos, e aceita somente as coisas, providas das suas maldições e bênçãos, assim como as sentimos dentro de nós. Se para vós, a religião se descreve no conjunto de crenças que recaem no sobrenatural, assim como nos códigos morais que permitem atingir o sagrado, para nós, que vivemos nada mais nada menos como o sobrenatural e o sagrado englobando, não obstante, o caído, o que nos resta adorar além da existência das coisas conforme passamos por elas e elas nos atravessam na invisibilidade dos espelhos?

Porque nós somos dentro das coisas, e porque ousamos rasgar todas as peles, não existe em nós a fé por elas, apenas a fé interna às mesmas, contida e saboreada no laboratório dos sentidos.

Porque somos eterna e amplamente sós, não serão descobertos códigos morais ou sociais que nos conduzam. Não somos ateus, pois não negamos os deuses nos homens, não somos agnósticos pois a dúvida, em nós, não impera, e o deísmo não será uma bandeira na constatação de que a razão, deixada a si mesma, não vale o mais pequeno sopro. Em nós, a virtude e a justiça são consequências da liberdade, em vós, da opressão. Qualquer lugar que pise amaldiçoo e sacralizo, então, se procuras um altar no qual adorar aquilo que começas agora a visualizar no movimento das minhas palavras, busca o espelho, nesse mesmo momento em que, ali, não encontres o teu reflexo.


(...)

Uma diferença, todavia, vem estabelecer-se na medida em que, da amálgama revolta dos sonhos da carne e do espírito da qual provem o mundo, extraímos o fluido luminoso e a treva numa medida perfeitamente regulada, assim, no mundo do espírito aquilo que é fogo virá influenciar a temperatura do nosso corpo no sentido dos graus mais baixos, enquanto que aquilo que é gelo o aquecerá. Devido a esta sensibilidade acrescida e ao manejo aperfeiçoado do mundo oculto, sentimos frio e calor, mas não sofremos de frio, nem de calor.


(...)


A eternidade é a condenação do futuro; é, contrariamente ao que pavoneiam, não o rumo certo da glória daquele por todos amado, mas a errancia.

(...)


Diana, hoje observo-te a brincar, como uma pequena chama ao luar, entre becos e sombras e mascaras de lobos, com um sorriso de criança e a inocência cruel das rosas, e pareces pequena e grande em simultâneo, mas eu sei melhor, sei que és pó. A morte, tudo iguala minha pequena. E embora a tua brincadeira seja mais uma corrida até ao final dos finais, a consciência da imortalidade em mim brinca em passos de dança com o precipício da inconsciência em ti. Por isso mesmo permito-te conhecer alguns aspectos da nossa existência ou, deveria talvez proclamar, inexistência. A minha esperança sopra também nos ventos de que o venhas a espalhar às mentes despreparadas e despedaçadas dos teus semelhantes, pois a anarquia e o caos é o deleite e o vício mortal da eternidade.


(...)



O Vampiro organiza-se em sociedade segundo o modelo anarquista e, simultâneamente, aristocrático, em que o seu sangue é tido como sangue azul e dele é requerida uma certa nobreza dotada de uma etiqueta própria, porém natural, provinda das entranhas, então refinada ao máximo potencial da educação e do conhecimento. Não existe, pois, nenhuma hierarquia e, se alguma pirâmide de estatuto prevalecesse, seria aquela do poder da expressão do semblante de cada membro, sendo que os estados de espírito são, naturalmente, mais ou menos flexíveis.

Todo o Vampiro existe a um nível de igualdade simétrica e inquebrável, sendo porém a individualidade o princípio máximo que regularia esta associação, e por isso, cabe a cada associado trabalhar unicamente aquilo que espelha no mundo a sua particularidade, a sua inspiração e verdade; e assim, o lucro é visto em termos de realização, mais do que pelo cobre, isto é, a moeda de latão.

Esta, seria igualmente a vossa ordem natural, embora uma diferença interna resida em que no homem mortal, a individualidade se caracterize por se ancorar no corpo, dai o intercâmbio do sangue provocar muitas vezes a morte, sendo a nível da alma que o homem mais se mistura e se une com as coisas de forma saudável. Por sua vez, a individualidade do vampiro existe na sua alma, da qual o sangue é a interacção, o seu erotismo, a sua comunhão, compartilha e a sua fertilidade. Se um vampiro arrisca a sua alma, que é a sua maldição, coloca também a sua existência numa situação frágil e possivelmente fatal.



Mesh-ki-ang-gasher

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

É talvez o último dia da minha vida.


Nezahualcoyotl, O Rei Poeta




É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o Sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.

Alberto Caeiro



It is maybe the last day of my life.
I saluted the Sun, raising my right hand,
But I did not salute him, saying to him goodbye,
I expressed my pleasure to see him instead: nothing else.

Alberto Caeiro
* Traduzido por André Consciência

sábado, 1 de agosto de 2009

Promessas 1 *

HR Giger



Cara Filosofa dos Abismos, folgo em encontrar-te sempre curiosa, também um dia esta ansiedade de descobrir te fará morrer as sete felinas mortes, e nesse dia serás uma de nós. Por agora, satisfaço a tua indulgência na fornalha fraca de palavras poucas, para que talvez um dia possas vir a perceber muito em tudo o que é pouco.

(...)

Esforça-te para conhecer cada um destes animais de cor em ti mesma, e alimentai-vos primeiramente da sua essência. Só mais tarde voltarás o teu dom para as estrelas.

(...)

O prazer é, indecorosa e delicada criatura, uma dilacerante luz guia, uma voz que queima e que abre caminho: não distingue, conhece; em si coabitam todas as vidas livres aprisionadas na experiência, e o seu nome é legião.


(...)

A deficiência de cada Vampiro é assim a particularidade, ou particularidades, do mesmo, sendo esta a sua derradeira e inquestionável perfeição.


(...)

Sim, aqui tens a verdade, não simpatizamos com o Sol da mesma forma que vós, porque vedes nele um potencial salvador e o dador da vida. Nós, fitamos-lo como um opressor e agoiro de cegueira. Contempla que o Sol caminha, tranquilo, pela noite eterna do cosmo, e quando se impõe ali no vosso céu diurno tapa toda a terra num túmulo de falsidade, já distorcido. Apreciamos a noite porque é cada um de nós um Astro Ardente, um Sol, uma Estrela, cada um de nós é o Sol quando o mesmo caminha na noite, e fazemos-lo na Terra. Só nos sonhos vossos ganhamos forma, assim como nas sombras da rua, e nos fantasmas que as mãos ainda desenham e abraçam. Somos os vossos desejos, a vossa dança com a morte, e o vosso trago de um vinho perpétuo. Somos o orvalho quando a donzela do que ainda é puro em vós, se precipita uma vez mais na gravidade da ilusão, e a borboleta se reduz a queimadura no Archote de Lúcifer.


(...)


O sangue dos seres vivos é pois, para nós, como o incenso, gerado da resina das árvores, se afigura para os anjos, ou mesmo como a prece de um coração puro e silencioso o é para Deus. O sangue é o único cântico e o hino único capaz de criar um ambiente sagrado em nosso redor, a partir do qual podemos penetrar as hostes da mortalidade e dos vivos.

Uma vez adquirido pelas nossas formas, este sangue é pois despido das suas limitações tanto como da sua castração, tornando-se numa essência pura ardente, com a qual brindamos, novamente, o mundo cíclico e sistemático dos homens comuns, que, sem as características inerentes à nossa imortalidade, se extinguiria facilmente, como uma vela a descoberto face ao gelado sopro do inferno.




No fogo e na bruma.




Mesh-ki-ang-gasher
* Ha uns anos (julgo), diverti-me a fazer correspondência, em papel, sob este nome. Hoje estava a reler as copias das cartas e hão de se seguir mais dois posts da autoria de Mesh-ki-ang-gasher, sendo que achei peculiar o meu bizarro passa-tempo (do qual aliás hoje já não me recordava).

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Pensamentos

Gárgula (neogótica) da Catedral de Notre-Dame em Paris


Da Morte

É natural que um homem nutra esperança de que, após a sua morte, seja lembrado com um suspiro lânguido no coração das donzelas e daqueles homens convictos do seu tempo, dos seus companheiros de armas.

Tenho náusea, náusea de todas estas mortes. E quando sonho a minha morte, sonho morrer não de amor, nem por causa alguma que aglutinasse as mentes agudas dos homens, penso só, e só, morrer só, de solidão, morrer de solidão. Acabar assim, na escuridão, seco e frio, claro e cristalino. Porque só a solidão não se corrompeu.

Só do espelho, pode o corpo nu se vestir. E só da luz da chama se tinge a agua.


Da Solidão

Se fosse, ao menos, dois, saberia onde me encontrar.
Vivemos como Ciclopes.



Do Que a Eternidade Anima

A chama é o pânico num teatro sem vida.
A morte é a calma num teatro de gelo.



Da Verdade

Por vezes a verdade é tão feroz quanto a nossa leoa e tão pura e plácida quanto o nosso cisne. Por vezes pode até despir-nos de olhos como o nosso falcão justo.


Da Companhia

Até o mais profundo afecto do homem social, a família, se baseia na projecção mais superficial do homem em geral, o dinheiro.



Da Poesia

A poesia em palavras é só mais uma mascara social, um véu intelectual sustentado por uma cortina ilusória entre um homem e uma estrela, um homem e a beleza das coisas a sério. Tanto palavreado só servirá para se esconder delas.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Diálogo Atrás da Membrana

Francesco Clemente



O menino
"Sibila ó monte de Luz"

A menina
"Habita a Morte! Vive!"

O menino
"A Luz do Mundo a seus pés; a sua Coroa: a Luz do Mundo; o seu Coração: um Globo de Trevas ferido em vermelho."

A menina
"O teu sangue na luz sem eco."

O menino
"Eu sou o animal da boca quebrada, e do orifício de mim um Universo."

A menina
"Eu sou este, que criou, sem egoísmo, o que é seu."

O menino
"Eu sou este, que escapou da morte e do sufoco."

A menina
"Silêncio é o meu feitiço."

terça-feira, 14 de julho de 2009

Fornalha

Chisai Benjo, Takahashi Kaito



Nos recantos da Lua arde a floresta. As criaturas vis, os rastejantes, os que caminham o lodo, os que se escondem nas grutas, e as bestas que não conhecem nome, são eternas, e reconhecem-No quando os arbustos se incendeiam e morrem, imortais, com o fogo da vida. As sombras tremem e escapam sem demora, porque as testemunhas são os seus lampiões. Da resina dos arbustos solta-se o perfume do Celeste, o Inexistente é invadido de uma recordação perene, veste ossos de sonho e emerge da terra negra e verde.




Perfume a Mar Vazio, Horned Wolf

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Santistuto

Adagio de Kris kuksi, 2002



Hoje consegui expandir os meus horizontes, descobri, junto à larga e envernizada porta da entrada do Santuário, um homem de casaco cinzento e cinzentas as roupas, que toca accordion incansavelmente. Falta-lhe uma orelha, na qual usa gesso, e tem um violino, com a sua caixa, aos pés amarrotados, para onde ninguém deita moedas nem notas. As notas e as moedas não são parte do Santuário, mas as pessoas continuam a mover-se à imagem da sua existência. À medida que toca parecem existir rachas nas paredes que mudam de direcção e dançam formas, mas eu creio que estas rachas são uma ilusão óptica do próprio som. Perto da caixa do violino, estão pedaços de jornal rasgados, talvez para lembrar o dinheiro em papel, e está um cacho de bananas. Por vezes, a ladeira do outro lado da porta, abre-se, e a face de um pequeno macaco com sinos, espreita de olhar tanto curioso como amplo e vazio. Encontrei também, na retaguarda da quinta, a lixeira, onde habitam inclusive as prostitutas, embora seja difícil distingui-las excepto pelas formas das latas. Ai, podem encontrar-se, nas laterais, urnas e pequenos caixões – provavelmente de crianças. No portão de entrada, todo ele de latão, uma caneca grande de cerveja, sempre cheia.

Podem encontrar-se palmeiras, depois do rico e imponente portão de saída do Santuário, formam um corredor e de um lado do corredor, campos de milho, do outro, a casa dos escravos. Por vezes, os aristocratas de chapéus-de-chuva e bigodes espiralados, vão confessar-se aos escravos. No caso do escravo retorquir, é mandado açoitar por outro escravo e eles observam atentamente o menear dos rabos como se de eclipses se tratassem. Em muitas ocasiões, se a sessão for longa, podem ser vistos frutos a amadurecer e a escorregarem dos rabos para o solo.

Depois de eu mesmo me quedar para ver este evento, e ao retornar para o meu quarto, a senhora de branco, que gemia num dos cantos dos ângulos, deu-me a mão despida, o pulso fino. A minha pele roçou a dela. Logo a mordi violentamente e sangrei longamente.

Nas paredes do meu quarto, uma das árvores está a despir-se ao espelho e a escrever uma carta para alguém muito longe.



A Sea of People, Horned Wolf, 2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Discurso de Bab'El


Horned Wolf, Discurso de Bab'EL



"A Confusão das Línguas" por Gustave Doré (1865)

domingo, 5 de julho de 2009

Vila Final

Orangotango de Sumatra - Autor Desconhecido




Ela têm um pesadelo que é meu.

Passo as horas ali, no final da vila, numa fabrica abandonada, encostado à árvore que está no final do mundo e que estala de Noite com tecidos oraculares. Ás vezes passam pessoas, com cães, no escuro, e com cães escuros. Estou na bruma, sinto-me invisível porque sou um fantasma. Tenho cada vez mais a certeza. Mesmo quando me olham como se eu fosse um louco, percebo que ninguém nunca mais me porá a vista em cima. A não ser ao jeito de assombração. Os tijolos singelos e abandonados, encosto-me todo a eles. Assobiam, ocos, ao vento. Sou todo eles. A lua é uma ferida de luz no meu sono, e assim são os meus sonhos.

A solidão somos nós, e somos nós todos vistos do meu corpo.

As vossas presenças são como pedras, mudas, frias, arremessadas contra o meu corpo imortal, como árvores que morrem e que nunca serão derrubadas. Como mundos de florestas que morrem e que nunca serão derrubadas. Onde só os deuses dançam, horrorizados de tão fantasmagóricos.

A luz verde e que é uma doença e que é como se fosse o amarelo da febre talvez.

Estou tão cansado. Pálido. Existem rugas em mim esta noite. Visíveis. Só as rugas são visíveis, eu sou leve e transparente.

Porque não vieste? Não queria ter vivido para sempre.

Perto das linhas finais, alguém me pergunta alguma coisa sobre anjos. Só respondo quando me perguntam as coisas dos anjos.

Teço uma resposta e acabo, antes de me meter no comboio e ser consumido pelas lâmpadas confusas.

domingo, 28 de junho de 2009

A Metade Devorada V






Era um dia especial porque eu podia brilhar sem ninguém ver: ser mais genuíno. A nossa estética arquitectura portuguesa sempre foi amante de um futurismo transcendente. E até àquele dia eu nunca tinha reparado em ti, que não vias as mesmas luzes que eu, no céu. Escolhíamos roupa e eu não reparava em ti, lá fora reparava em ti, tu não vias as pequenas faíscas que escapavam do Sol e desciam como mil peixes incandescentes para inundar a terra. Tu não o vias, eu testemunhava-o sozinho. Era já um rapaz feito, mas só então percebi.


Eu amo, e depois, morro, e quando amo morro, e quando morro amo.


Todas aquelas coisas que não eram nada, insolentes insubordinações que se afastavam do círculo e criavam outros círculos: como se pretendessem o absurdo de se existir por fora, tal se eu não contivesse tudo. E engolindo um milhão de estrelas pousei nos seus crepúsculos. Nunca existiu isto, fora do corpo mineral: Um exercito de sapos que coaxavam e pulavam de lugar em lugar. Arrastava-os para mim, as suas fantasias mais secretas, os seus combates, as paixões, e todas essas extraviações de uma anomalia extra-terrestre intitulada de pensamentos, de pluralidades charlatãs.


Todos os dias eu nascia no Sol, para me lembrar.


Eu amava-te. Tanto quanto te amo. É quase pena o que não pudémos contar. E é quase pena os anos de silêncio, por uma recordação serena, uma recordação quase só do coração.
Era de noite quando as estrelas caíram. Era de noite quando Deus se lembrou de queimar os homens. Eu fiquei contigo no pontão, quase debaixo da Ponte Vasco da Gama, e tinha escrito na madeira, para ti; apenas o rio e os olhares e os gestos com brisas de cabelo, diziam mais: ainda era de dia para nós, e não sabíamos que o nosso amor não era a única forma de se morrer e de se escapar da morte.


Devido ao Olho.
Fui cinzas, marés inteiras de cinzas.
Fui cinzas e fui Olho.
A tua mão, tão perto da minha…
Tocávamos-nos enquanto fazíamos muita força com os corações, mas ainda existíamos, mas o mundo ainda se encontrava colado a nós. As pessoas tinham o peso de sombras. Nós éramos o centro gravitacional. E não sabíamos, não sabíamos que éramos engolidos para sempre, gradualmente e copiosamente, engolidos para sempre.





Eu só sabia que éramos dois quando iniciávamos o rito de amor. Deve ter sido ali, que alguma forma alienígena a tudo o que éramos entrou em nós para crescer às escuras, se vingar de sermos como éramos.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O Macaco Amestrado





A cultura, as tradições, são feitas passar essencialmente pelo bem-poético, como eu lhe chamo, e assim tem sido ao longo dos tempos por mais mãos à palmatória que tenham existido. O “capital” desse bem é a inspiração.

“Educação de Direita”, e falta dizer educação em que sentido. Como a maior parte de propaganda de direita, o texto mostra conceitos que fascinam os perdidos num mundo perdido, não os pondo todavia em prática ou nem sequer os conhecendo.

Uma falácia encontra-se neste artigo, que se baseia em dois temas:
A Liberdade, A Educação (educar + acção, teoria e a prática dessa teoria). É claro que parte da liberdade está em saber tomar decisões conscientemente, para tal, necessita-se de informação e de inteligência. Para adquirir informação é necessária uma mente aberta, vulneravel, para adquirir inteligência um raciocinio forte, uma boa resolução das equações relacionadas com os limites e uma limpidez incorruptivel posta em prática. Nenhuma destas coisas vai de encontro ao que o artigo menciona, nem da forma como o menciona. O mesmo será dizer que o macaco amestrado é o macaco livre. A educação do homem integro e inteiro provem da liberdade, a liberdade do homem escravo provem da educação imposta.

A cultura provém das liberdades, e toda a educação sã se baseia nesse ideal, porque a vida e a liberdade se baseiam na mesma alma, uma cultura proveniente das opressões (e por opressão não a igualizo a esse bem que é a disciplina) é uma cultura indesejada.



Resposta a Boulevard das Ideias

terça-feira, 16 de junho de 2009

Felicidade


O espectáculo acabou, as cortinas fecharam-se e agora ninguém nos escuta quando rimos sozinhos. Nunca contei a ninguém se ela se tranca, se ela fica trancada na casa de banho a dar-se prazer, se me fecha no exterior. A multidão na rua caminha devagar embora esteja a chover torrencialmente. Eu estou parado e as pingas não me tocam. A multidão na rua é toda de amantes, agarram-se na chuva a tentar prender tudo aquilo que nunca será deles. Ouvi dizer que está frio. Deve ser devido a estas e a outras coisas. Não há nada para ver aqui, as cortinas cerradas. Tudo o que está fresco já passou de prazo. Os seus gemidos na casa de banho dizem que sou um mau rapaz. Os amantes apertam a dor, não vá tudo o resto escapar. E ninguém percebeu a felicidade. Lembram-se dela ao jeito de anedota, se ninguém os vê, e riem-se em sussurro.

sábado, 13 de junho de 2009

The Death of Knowledge



Modelo: Lady Alexiel
Foto Original: Nanashi

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Placas do Jardim


Giordano Bruno por Ettore Ferrari





I

O Sol aquece a Terra. Assim existe vento, chuva, e chama.

O Amor aquece o Amante. Assim existem suspiros, pranto, e chama.

Destapar o coração ardente, é vencer os deuses e o homem. Não existe outra arma, e nenhuma outra muralha além dos raios do Astro.

Esplendor é a agua que se precipita contra a Flama, e causa o Cristal, a Pedra.



II


De Luzes Gémeas, dedica a vista a tudo o que é Superior.

Oferece-lhe tudo o que seja igual ou inferior a ti.



III

O labor da Inteligência dá-se na quietitude e no repouso, não no trabalho movimentado.

Assim o labor do Amor é pacifico, apesar de de si, se gerar o movimento.



IV

O lado negro da Lua é sempre o lado de quem a olha. O lado luminoso da Lua é sempre o lado de quem a contempla.



V

O Amante perfeito reflecte-se no carvalho que não treme. Não no carvalho que dobra sem partir.

O desejo sem a dor é o mais alto afecto do homem.



VI

"Chegando ao ultimo e ao dia mais feliz da nossa vida, planeamos para esse dia paz, saude e tranquilidade de espírito; porque não obstante quanto, por um lado, a maior dor nos atormentou com obstáculos, esse tormento, por outro lado, tornou-se completamente absorvido pelo prazer que tomamos nas nossas criações e na consideração dos nossos fins."

Epicuro, traduzido por mim



VII

Os escolares de Sócrates podiam subornar os guardas prisionais, porém Sócrates não queria temer a Morte, porque nenhum filósofo teme a Morte: O ultimo favor de Asclepius.



VIII

O coração, tornado na maçã dourada, deve ser oferecido a nada que ultrapasse outro objecto em especifico, mas àquilo que é, em todas as coisas, infinito.

Da mesma forma, aquele que se esconde nas caves deve ser resgatado para o peito, para que suspire de amor e cause o caos e a tempestade em todos os quatro cantos do mundo. Depois, a luz, fará que seja tranquilo, a escuridão dar-lhe-á nobreza.

O peito é a habitação da beleza e da bondade. E assim são os seios da amante e da mãe, que origina a natureza em estado puro do intelecto e da razão.

As tempestades nos quatro cantos do mundo serão murmúrios de amor, e a inocência o punhal que rasga a mortalha do coração ardente.



IX

Nenhum Raio do Astro é real, excepto se desperta o desejo juntamente com a ideia.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A Metade Devorada IV





Nós riamos-nos da minúscula criatura canina, porque uma força estranha à sua natureza e à sua constituição o voltava contra a cauda magoando-lhe a coluna, e o lançava num reboliço de tentar caminhar e se confundir por só dar voltas sobre si mesmo. Depois a alva nervura do olho, manchada de um vermelho lustro, e não haviam nele órbitas vazias, havia carne papuda e sangue jorrado, o vulto em tremura, como se risse. Nós riamos-nos. E ele era uma mancha pisada, contra o solo movediço de intransponível: à espera, em todos os passos: a voz da morte. Por isso riamos-nos e tomávamos brindes amaldiçoados, construíamos enredos de vida em seu nome, para diverti-la. O meu corpo encarquilhado, ilusório, observador do ilusionista. A morte dizia: conhecimento. Depois eu era o cão, em todos os tempos para os quais procurasse escapar, procurava correr, confuso, por voltas sobre mim mesmo sempre que apontava para algum sítio. Haviam duendes de faces desfiguradas, e riam-se muito. A ultima palavra.


Todas.

Um vagabundo. Um homem cuja metade devorada criava asas de traças em humidades nauseantes. Mil asas pequeninas de um eclipse psicadélico e de um estrondoso mar em comoção. Abismos do espaço e do tempo. O vagabundo não se interessava, a sua face suja era límpida demais para incógnitas, e por isso era inconcebível. A metade devorada ostentava tentáculos microscópicos de carne cortada, e abraçava todas as coisas com um sufoco e uma avidez sobrenatural.


Antinomianismo: contrariar a corrente de decadência para a qual a criação, deixada a si mesma, tende a escorrer. Que estes sejam ferreiros, quer dizer que são capazes de moldar o mundo através do fogo.

Com luz de ave azul, de ave que caminha nos meandros dos espaços inatingíveis entre as estrelas, emanando sonhos e redemoinhos de renovações invisíveis, ela perscrutava os meus olhos, como se os seus tocassem e explodissem violeta, e quando me apanhava a alma, ia dizendo: “as árvores em que se abriga são o isolamento, mas as palavras que ele não encontra, e que procura, são ele”.
Eu quedava-me em litania: a poesia é feita à imagem do leitor. Deus lê-nos, nós escrevemos. E estamos muito sós, a flutuar e a atravessar muitos olhos, túneis que desembocam em túneis que em túneis vão desembocar. Eu olhava os olhos extraídos das órbitas pela pressão, as janelas abandonadas desde o inicio, daquele frágil cão inutilizado pelo fim. E risos, a sair de bocas ocas em bocas ocas. Torrentes. A tua mão calorífica? Meu anjo? Gratidão.
Depois, aquela parte que não estava devorada arrastava-se pelas linhas de ferro, e vagabundeava sem realeza vagabunda: apanhava os restos que se dividiam em restos que se dividiam em restos: a parte comida era a parte deixada por comer: ser-se devorado.


Reflexos, a sala escura, e o espectáculo de ilusionismo, eram agora um iluminado labirinto de espelhos cristalinos e incorpóreos. Havia glória no canto dos coros, estendida na distância até tudo se tornar distância: os fantasmas desistiam e voltavam aos seus abrigos de esquecimento.

O meu corpo encarquilhado, a crescer contra si mesmo enquanto mirrava, inquebrável porque estático, impossível de derrubar, a observar. O ilusionista era o seu predilecto truque.




sábado, 23 de maio de 2009

GÓTICO - Subcultura ou Género Musical?




Resposta meio abrutalhada num debate em que os góticos dos velhos tempos atacavam os góticos das novas gerações, porque gostavam de gothic metal e não pertenciam, por conseguinte, à subcultura. Os góticos da nova geração não sabiam como responder a isso e ficavam confusos:

A diferença do punk do qual descendeu o gótico do gótico é que o gótico é menos cru, sim, começa a introduzir o órgão e as letras são muitas vezes introspectivas e até depressivas. Existe uma maior sensibilidade poética, uma ligação no que respeita as letras ao romantismo, ao mórbido, e ao sobrenatural. Muitas vezes a voz é dramática e profunda.

Do rock gótico surge a subcultura, é certo, e a subcultura já não era, somente, um movimento musical. Foi incluindo moda, os bares, literatura, pintura, filosofia, banda desenhada e até jardinagem; os sobreviventes do movimento estético do rock gótico criaram para si mesmos o que se chama disso mesmo, uma cultura, um mundo próprio. Só aqui é que se torna numa subcultura digna desse nome (e até hoje ainda não uma contra-cultura, por causa do niilismo inerente a limita-lo em termos de crenças politicas e soluções concretas para o mundo).

Dentro da subcultura estava um revivalismo da literatura gótica, ou melhor, o rock gótico desde o seu começo é que aspirava a este revivalismo em primeiro lugar, que combinava o horror e o romance, uma rejeição das doutrinas pre-estabelecidas e um mergulho do intelecto na obscuridade, que se lançava no seu modo aos novos descobrimentos (o mundo era desconhecido e cheio de peripécias sobrenaturais e bizarras). A figura da autoridade e do dogma é nesta literatura (como os condes e os sacerdotes) vista como maléfica e assustadora, ruínas (as ruínas do que consideravam o velho mundo, ruínas nas quais viviam), etc. As criações humanas decaiam e morriam. E para ilustrar como era temível a autoridade, mostravam um mundo medieval que tão bem foi marcado pelas tiranias da fé e do dogma. A beleza também começa a ser olhada com um misto de admiração e suspeita, a mulher é fatal, a loucura um mistério a penetrar (Freud descobre que o homem tem uma besta no seu interior, coincidente com a imagem artística dos lobisomens - libido, etc), e ergue-se uma bandeira contra o catolicismo (coisa dos protestantes). Em suma, esta literatura do século dezoito intitulada de “literatura gótica” vai inserir o fantástico em elementos do realismo que marcava afincadamente a época (esta escola, tal como o gothic rock, também começou na Inglaterra, e espalhou-se para França e para a Alemanha, que de resto é a mãe do Romantismo, que contribuiu para o género gótico). Ah, a androginia que vês vem da época vitoriana, que passou a chamar a essa literatura de gothick (com o “k”), que adoravam a imaginação fantástica da arquitectura gótica. E para não deixar que o movimento aqui morresse, vai Poe beber a Ann Radcliffe e ao romantismo de Byron (tal como contemporaneamente o senhor Burton bebe de Poe). O movimento literário continua por ai fora até ao Bram Stoker, no século vinte já aparece sob a forma de Lovecraft (entre outros).

É claro que a literatura influencia o cinema, e o cinema copia a literatura, e antes das bandas góticas já existia uma vivência da literatura gótica no cinema. Não foi apenas o rock gótico a manifestar a literatura gótica (alias em todos estes géneros teve muita influencia Black Sabbath), mas por exemplo King Diamond, do Heavy Metal, ou sim, vários grupos do Métal Gótico (e se o metal gótico não é gótico então o rock gótico também não seria gótico) e várias outras bandas que se tornou cliché para um gó estar contra - porque se o pessoal no geral gosta temos de estar contra ou então ficamos menos gós, mas não interessa erudição, acusar os outros de estar na moda chega - )

Esta literatura tem influencias fortes do período estilístico e filosófico barroco, que retrata um jogo de poder entre o divino e o humano, e o efeito da ilusão, e a arquitectura gótica expressa isso mesmo, pela própria mente construíam catedrais altas o suficiente para chegar ao céu - uma torre de babel - (já a pintura gótica mostrava pessoas de rostos voltados para o céu, como os românticos olhavam para o infinito - e os principais pintores da pintura gótica iniciam a pintura do renascimento, em que a ciência, a matéria e o sobrenatural são um e o infinito rompe pelo finito), pelos vitrais do homem a luz natural entrava e tornava-se sobrenatural.

Poderia escrever um livro sobre isto tudo, mas vou abreviar e dizer que gótico não é o artigo que compramos, seja este um CD, um filme, um livro, gótico é uma qualidade que pode estar ou não inserida no artigo, e a mesma coisa vale para pessoas. Um CD de Gothic Metal não é um CD de Gothic Rock, isso é absurdo. Mas podem ser, ambos, cds que se incorporem na subcultura gótica que, acima de tudo, voltada para si mesma como os iluministas, vê fundir-se a angustia da morte latente no homem como criatura solitária - despida de um deus -, no corpo e nas coisas da terra, com o sentimento do sublime, da noite das coisas que acaba por o despir de pátria e roupagem e o entrega às fúrias da criatividade errante que vive da fusão desses dois opostos - o sublime e a angustia.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Política






Anarquismo

Como doutrina politica pretende eliminar o estado e emancipar o sujeito social, a meta è a felicidade inerente a qualquer um pela liberdade.
Preceitos:
. As instituições são más, o indivíduo é bom.
. A vontade e a razão de cada membro de uma sociedade è a ordem e a harmonia da mesma.

Ironicamente, o primeiro teorista do anarquismo foi um padre britânico de nome William Goldwin. Segue-se-lhe Pierre Joseph Proudhon, um socialista francês que tinha em 1840 publicada a sua obra “O que é a Propriedade?” A sua resposta “é o roubo”. “A Filosofia da Miséria” é publicada em 1846, este sugere uma grandiosa transformação nas unidades de produção pela troca livre de produtos entre as associações de trabalhadores. Instalava-se o crédito gratuito e os juros terminavam. As classes sociais perdiam o lugar.

Mickhail Bakunine, outro teorista do anarquismo, era um revolucionário russo que se opôs ao Marxismo e que participou, em Paris e em Praga, nas revoluções de 1848. A ele junta-se o príncipe Piotr Kropotkine de Moscovo, um outro teórico do anarquismo e revolucionário que contem entre as suas publicações “Palavras de um Revoltado” de 1885, “A Conquista do Pão” de 1888 e “A Anarquia, Sua Filosofia, Seu Ideal”, de 1896.

Em 1845, o alemão Kasper Stirner publica “Der Einzige und sein Eizentum”, que faz dele, filosofo anarquista radical, o percursor do existencialismo ateu.

Em 1921, Kronstadt, dá-se a insurreição de marinheiros e operários contra o governo soviético. Em 1936, a guerra civil de Espanha, durante a qual Buenaventura Durruti, um anarquista de Madrid organizou a Coluna Durruti que procurou libertar Saragoça contra os franquistas. Morre na defesa de Madrid. Mas aqui o anarquismo foi suprimido pelo comunismo a partir de 1937.

Oliveira Martins, um publicista português, traz a influencia de Proudhon (“O Socialismo na Monarquia” – 1945), unido a Antero de Quental, Pedro de Amorim Vieira (“Defesa do Racionalismo ou Análise da Fé” – 1866); Lopes de Mendonça e Francisco Maria de Sousa Brandão, que contribuiu para o “Eco Operário”.

Em Portugal, toda a divulgação foi abolida em 1927, surgindo alguns agrupamentos políticos novamente após o 25 de Abril.
Ainda em português, mas no Brasil, encontramos José Rodrigues Leite e Oiticica, tendo estado preso por ser partidário desta doutrina politica. Entre as suas obras podemos encontrar “Sonetos” (1911 – 1919) e “Princípios e Fins do Programa-Anarquista” (1919).




Monarquia

Monos – Só
Arakhein – Comandar

A monarquia é o mais antigo dos sistemas políticos.
Originalmente, o monarca era um deus por direito, elegido pela Divindade, numa monarquia absoluta. A partir da Idade Média o Rei, influenciado pelo ideal cristão, passava a ser aquele sagrado e ungido com a seguinte missão por deus herdada: proteger a Igreja, exercer a Justiça, instalar a Paz no Reino. Mais tarde, Filipe IV, o Belo, opõe-se firmemente ao Papa Bonifácio VIII, em 1301 o Rei acusa o Bispo Pamiers de traição e o mesmo é encarcerado. Pela sua mão, muitos dos principais chefes dos templários foram queimados em 1310 e 1314.

Na época moderna veio à luz a monarquia parlamentar, em que os poderes do Rei se encontram condicionados a uma assembleia eleita, no caso da Inglaterra. No caso da França, o Rei, apesar da monarquia absoluta, encontrava-se submetido às “leis do Reino”.

Hoje em dia, porém, a inspiração liberal deixou os reis com direitos extremamente reduzidos, sendo que os republicanos levaram a monarquia, na maior parte dos casos, ao desaparecimento. Foi fora da Europa, como por exemplo Marrocos, que a monarquia preservou os seus aspectos tradicionais.

A Monarquia do Norte:
Foi uma revolução dada após a morte do presidente Sidónio Pais, há apenas 91 anos, em que os monárquicos proclamaram a monarquia no Porto a comando de Paiva Couceiro. Cerca de um mês depois, a Monarquia do Norte findava às mãos de uma contra-revolução republicana.

Há apenas 29 anos o Partido Popular Monárquico elegeu cinco e seis deputados, tendo ocupado cargos governativos.

A aristocracia vem de aristos (excelente) e kratos (poderio), representa a nobreza, homens exímios em sabedoria e justiça, é uma elite de talento que foi reduzida a moedas, notas, um último nome e um brasão constantemente desonrado.

Sugiro vivamente esta leitura dos valores monárquicos por Manuel Abranches de Soveral.



De resto, uso-me das palavras de D.H. Lawrence:

"Temos uma vasta população industrial que tem de ser alimentada, portanto a maquina tem de continuar a trabalhar, custe o que custar. (...) Os homens não tem energia, sentem-se como que perseguidos, mas não reagem. De resto, nenhum saberia o que fazer, embora todos falem. Os jovens queixam-se de não ter dinheiro para gastar. A vida deles depende exclusivamente do dinheiro, e não o têm. Na nossa civilização, e devido à nossa educação, a massa depende inteiramente do dinheiro que pode gastar, e agora há pouco. (...) As mulheres estão desesperadas, mas também são as que gostam de gastar dinheiro.
Se ao menos fosse possível explicar-lhes que viver e gastar dinheiro não significa o mesmo! Mas não vale a pena. (...) Se os homens usassem calças vermelhas, como eu costumo dizer, não pensariam tanto no dinheiro. Podiam dançar e saltar e cantar, pavonear-se, ser elegantes e precisariam de pouco dinheiro. E poderiam divertir as mulheres e as mulheres poderiam diverti-los. (...) Esta é a única solução para o problema industrial: treinar as pessoas para conseguirem viver, e viver bem, sem necessidade de gastar. Mas é impossível. Hoje em dia as pessoas são limitadas, e a grande massa nem mesmo procura pensar, porque não sabe: devia ser viva e alegre e adorar o deus , que é o grande deus das massas. A elite pode ter outros cultos, mas seria melhor que fossem pagãs.
Mas os mineiros não são pagãos, muito longe disso. São uma gente triste, morta, morta para o amor, para a vida. Os mais jovens andam com as raparigas nas motos e vão dançar jazz quando podem. Mas estão mortos por dentro. Para tudo precisam de dinheiro, e o dinheiro envenena quando se tem e quando não se tem. (...)
Aproximam-se maus dias. Se as coisas continuam assim, no futuro só nos resta a morte e a destruição das massas (...) (Mas) Todas as calamidades que assolaram o mundo jamais conseguiram apagar os corações (...)."

terça-feira, 12 de maio de 2009

Pantheology






Tudo brinca, e nada mais ha a dizer.

A natureza manifesta-se e a consciência acompanha-a.

As raizes das árvores afundam-se na terra, as estrelas estão altas, no céu, mas tanto as raizes das árvores como as raizes das estrelas são silêncio.

A morte não existe, em todas as ocasiões tudo está vivo.

Tudo é sexual, e todo o sexo de comum vontade é um sacramento e uma celebração da polaridade da existência (natureza e consciência).

Brinca, no jogo dos corpos nus e na tecelagem das vestes. Este o ritual, a prece, e a meditação.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Diablero

A arte de um diablero não é lembrar-se que a vertigem da alma o pode tornar em animal, mas esquecer-se, enquanto a vertigem dura, que foi homem e que poderá tornar a sê-lo.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

The Passion of Fools

Na boca do meu sentimento
um milhão de anos é desterrado
pelo som articulado do teu nome
e a paralisia de tudo
- até da vida, -
é a minha peculiar forma
surda, de te gritar.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Retratos

Não sei ao certo a razão pela qual todos tomaram o meu sífilis, primeiro criado como uma criança no carinho do segredo, depois rasgando a membrana ao olho púb(l)ico, como uma pancada na consciência. Eu esperava actos de recriminação, não é a Sífilis doença para pervertidos? Mas não, a odiosa culpa, como se tivesse sido cada um deles a colocar as sementes de morte em mim. E como os odiei ai, com um tom sarcástico de indiferença, como se estivesse tudo bem. Mas os bastardos nem no que respeita o meu próprio processo de morte me concederam o dó da responsabilidade, como se eu fosse um produto dos seus actos moribundos. Actos moribundos com qualquer coisa de muito errada, a ausência do seu vírus mortal nos seus corpos.

Quando estava com alguém, não se falava de mais nada, como se a minha condição fosse um bom tema de conversa e falar sobre ele, e preocuparem-se muito, aliviasse as mazelas. Ah, e o desconforto com que o faziam, o pouco-à-vontade que a minha presença gerava. Divertia-me um pouco. É verdade. Só quando estava sozinho, à janela do meu apartamento, a olhar a lua, é que sorria tristemente. Gostava de estar de volta no campo, com as minhas primeiras aventuras a três. Ou mesmo, muito antes disso, de estar no barco para Tróia, a olhar a minha feiticeira ruiva sem que ela soubesse, ainda, quem eu era. O meu primeiro amor morreu era eu um adolescente, e eu não morri para ninguém porque quando morri, já não era para ninguém senão memória e fantasma.

Mas retomando o curso do dis-curso. Depois desse pouco à vontade começaram a surgir os ataques, os ataques… Como se com isto se protegessem da culpa que nem sequer possuíam. Que parvoíce. Um a um, fodi-lhes a vida. Eles tinham tanto a perder e eu só tinha o fim pela frente e eu queria sair com triunfo, sem que ninguém pusesse a mão na minha morte, no meu ser, no meu eu. E foi ai que me dediquei inteiramente às putas e ao sadomasoquismo. Sem perceber muito bem porque razão, foi ai que estoirei as minhas ultimas notas, nisso e em quartos de pensão para onde por sua vez nunca levei ninguém e onde nunca nenhuma mulher nem nenhum homem me tocou sexualmente, embora as moscas fodessem sobre mim enquanto eu tentava dormir e as baratas caíssem nos copos com agua riscados e as manchas de esperma e sangue de outras pessoas que não eu nem causadas por mim ainda se pudessem ver nos lençóis à luz clara da manhã. Não sei bem o que me levou a nunca mais voltar a casa. Mas um dia senti esse ímpeto, um pouco em reverso, sonhei que a casa ardia e, recordo-me pus-lhe fogo na noite seguinte. Agora, não havia como voltar, ninguém visitaria a minha casa para ver as minhas coisas depois de ido.

Tive saudades de algumas pessoas, família, amantes (só sentia nostalgia, no geral, das primeiras, as da juventude), mas invadia-me ainda mais o nojo que se colava à percepção desses. Às vezes não a conseguia justificar, à náusea, e… sentia-me enlouquecido, sem saber o que me guiava. Talvez a morte, talvez a própria Sífilis? Talvez todo o desgosto da vida e que até então escondera. E tudo isso a ser a mesma criatura monstruosa: eu, e eu em todos os nomes, em todas as pontes e em todas as mulheres nuas que coroei com o luar e cujos castelos derrubei com a minha lança de deus.

Acariciava as memórias e cuspia nas pessoas em si. Na minha mente, degolava cada personagem do palco da memória, quando depois das cortinas se fecharem, surgiam num todo, horríveis, com toda a beleza a ser veneno, arma única para a totalidade do fedor. Por fim, a minha ultima inimiga: a Sífilis, a comer-me que nem uma mãe porca. Curvado, apoiado em duas muletas e algum gesso, paguei, na gota última de dinheiro, o táxi e lá estava. Entre Gaia e o Porto. A ponte, noite funda. Já no rio, ninguém me apanharia.

Agora apetece-me rir. Foi tão fácil fugir e ninguém me apanhar. Haha.

Vocês que estão a ler-me, lembrem-se que são livres, vocês são livres porque ninguém está a olhar e nunca houve alguém a olhar.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Adão & Eva

Na figura do teu aconchego
a vontade da pele ser a tua pele.
Mesmo a morte, ha de pintar
no meu corpo, o rosto do mundo.

Os beijos que trocamos
gravam nomes.
O sangue que beijamos
inscreve palavras
nas lápides dos antepassados.

A manhã arranca os nossos pés,
colados juntos, à eternidade;
mas por mandamento da alma
um só vulto de amor
ergue as asas da imortalidade.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A Metade Devorada III

O primeiro tiro de caçadeira, abafando as coisas em mim como trovão que cega o céu, como o tambor de um deus que abraça e destrói: rio que se despista contra oceano. Não olhei para ele, porque o barulho era tremendo. Trémulo, peguei com toda a força que tinha no meu tambor de latão, como se fosse fazer as pessoas orgulharem-se.


"que o meu pai vai morrer"

Então naquele dia, como em todos os dias, a minha avó pegava em mim pelo braço, com o pulso forte que só as pessoas da sua idade possuem, e levava-me ao largo onde podia comprar coisas frescas dentro da fruta e das suas cores liquidas na boca. Às vezes eu ficava sentado à porta da mercearia, perto do mercado, e observava os meninos de rua com bicicletas e posturas de rua e palavras de rua e aspectos livres e aspectos oprimidos. Quando eu entrava ela fazia-me carregar um leite de pacote, depois uma peça de fruta, e comprava, a pensar em mim, vinho “Pegões” e sobremesas que vinham enroladas em papelão. Então, quando estava na fila:

“Por favor deixe-me passar é que o meu marido tem um cancro, está acamado em casa” e eu sorria, tão compreensivo como enjoado, como se houvesse regalias e prémios de quase-viuvez, ou qualquer coisa que se herda de alguém que não deixou, como se mesmo naquela cama, debilitado, ela o pudesse violar e violar o seu nome e cobrir de espinhos um coração invisível, à espera.



Ele batia no volante e expirava de cada vez que o carro parava porque havia outro carro na mesma rua, demasiado perto; porque os sinais também ficam vermelhos. “Calma…” dizia-lhe ela “ainda te dá um troço” e suspirava às escondidas. Centrava-me em ouvir o batimento que existia dentro do meu peito, como se fosse algo de concreto perante tudo o resto, esquecido que de cada lado existiam os meus irmãos. E pensava que ele não queria chegar atrasado ao inevitável.


como as paredes gigantes do hospital branco




de cabeças baixas, não falando porque nunca houve nada sobre o que se falar, e fingindo que na dor era solidariedade e que na dor não era um adeus mais definitivo que nunca




Então peguei nela, sempre forte, naqueles momentos, e a pretexto de a levar à casa de banho




como se fossem amuletos, eu com uma colecção de livros, de livros que diziam Swami Vivekananda, com capas lisas e de uma só cor, como se fossem mundos que suprimiam os outros mundos numa beleza nova, e ele dizia num quarto clarificado num aquecedor rotativo, do qual por vezes se queixava ou, não se queixando, tremia de frio procurando abafar mil gemidos que se amontoavam. E por vezes dizia que não conseguia engolir, ou arrotar. E outras vezes as suas pernas inchadas e brancas e roxas podiam estender-se ainda no sofá. E ele dizia do seu quarto: “O que é que eu vou fazer agora com eles?” e eu sabia as palavras dos assuntos, mas não sabia responder-lhe, não sabia falar com ele, nem quando, quase, me pedia no seu jeito rude. Não soube falar com ele quando os seus olhos estavam mortos e o seu corpo vivo e sem ver me chamou. Não soube falar com ele no dia em que sufocou e praguejou antes do fim das palavras.



rezamos pela alma que podia estar a partir, que estava a partir, apertou-me com força, e eu era uma luzente torre de força: “é o meu homem! É o meu homem! Meu companheiro! Meu marido! Meu irmão!” e eu a sentir os mil dardos das suas palavras que o feriam, que me feriam quando ela as dizia, penetrarem-na insuportáveis como pregos de ferrugem como buracos irreparáveis no coração.


Eles disseram que ele estava estático e amarelo. O meu tio, alto, corpulento e todo ele animado no seu estilo próprio e pachorrento tinha cara de bebé, e o seu choro era mais indefeso e abandonado do que o do mais pequeno bebé. Se eu soluçava, dizia sempre que era pelos outros. A mim, a morte não me havia de impressionar.



Eu pensava: talvez: como se ela não fosse ter a ultima palavra, como se a sua ultima palavra fosse: talvez: eu.



“Merda!”




Não soube porquê, da primeira vez que me chamou como se eu fosse um qualquer herói, e das outras vezes, porque nunca perguntava, sabia porque me habituava a não saber. E quando deixei a pequena carta no último momento antes do caixão ser completamente um caixão, brincava como quem suplicava que fosse sério, de explicar porque era o meu herói.

O último beijo do meu pai na rigidez daquele desprezível resto de tudo, foi veneno, foi eclipse, foi veneno, como a ultima pazada e as feições duras do coveiro num enterro pobre e desinteressante, como se nada fosse, porque era nada, como se fosse tudo. E invadido por coisas que não pude dominar eu dizia que se chorava, era por ser a ultima vez. E a ultima vez, ali, foi como uma pedra basilar, foi como uma coisa completa, que cobria todas as outras coisas: coisas que foram, muitas, e que me tinha esquecido, coisas que seriam até eu ser esquecimento.


quando as pessoas negras me comprimentavam, eu nunca sabia quem eram


para pintar a casa, para plantar as muitas arvores das quais conhecia toda a ciência, para me falar da índia e dos seus sons e dos seus animais, esmurrar a mesa por causa de uma guerra ou uma tortura que eu não podia sequer imaginar e que tentava alcançar sem forças, porque sabia que o seu passado era o meu. Para guardar a casa, naquele dia turbulento, apoiado à caçadeira e quieto durante horas, coberto pela substância da noite e pelo fogo de céu azul dos seus olhos.






Sei-te como se não existisses fora da minha demência.
Como se existisse fora de mim: e a morte não apagasse de verdade.

domingo, 12 de abril de 2009

O Anarquismo na Nova Tecnologia (o surgimento do Cyberpunk)



"a consensual hallucination experienced daily by billions."


1. Neuromancer de William Gibson. O termo Cyberpunk provem da corrente de ficção científica que esta obra gerou.

2. Nos anos oitenta, ainda antes do Neuromancer, em 81, tínhamos a obra prima chamada de Blade Runner e que veio inspirar o Cyberpunk com igual pujança. Ate, uma década a seguir, o Extreminador 2, no seu conceito, e hoje em dia temos o Matrix! São os mais famosos.

3. A moda Cyberpunk é o desperdício de criatividade dos que poderiam ser cyberpunks, cujo físico e estética se encontra entre os mundos, no grande Totem chamado computador.

4. Um cyberpunk, anarquista infiltrado, depois de acabar a universidade plantava uma bomba-virus, quebrando as paredes dos quartéis do poder privado.

5. http://www.well.com/~hlr/vcbook/vcbookbiblio.html

6. O Ninjitsu já passou a historia, agora o novo "Modo Silencioso" é dos japoneses otakus.

7. Eu como sou gótico e atrasado, ainda sou amigo dos golemns e do Frankenstein, será que esta na altura de redefinir o Raio?

8. http://www.eff.org/

9. O Anjo é um Puer Aeternus de consciência idosa, e o Cyberpunk é um lógico que sofre do sindroma de Peter Pan. O erro de J. M. Barrie foi ter posto o pirata no lado errado.

10. Será o Social Engennering o futuro Grande Olho cuja luz descobre todos os vermes para todos os olhos? O Homo Veritas em convulsão no seu ovo.

11. http://www.planetanews.com/autor/MICHEL%20MAFFESOLI

12. Lenin definia a modernidade como a electricidade e as mentes soviéticas. Diga-se da pós modernidade "informatica e esoterismo"!

13. Tudo começou com os Phreaks, os piratas das linhas telefónicas, aqueles designados a roubar a tecnologia do controle estatal e do controle industrial como Prometeus deu a Chama ao homem. Os hackers são os phreaks dos computadores, e o Cyberpunk o movimento social e cultural do seu produto.

14. André Breton escreveu: «A vida verdadeira está ausente, já dizia Rimbaud. Este será o instante a não deixar passar para a reconquistar. Em todos os domínios, eu penso que será necessário aportar a esta busca toda audácia de que o homem seja capaz.» E Breton acrescenta: « Fé persistente no automatismo como sonda, esperança persistente na dialética (aquela de Heráclito, de Mestre Eckhart, de Hegel) para resolução das antinomias que desafiam o homem, reconhecimento do acaso objectivo como índice de reconciliação possível dos fins da natureza e dos fins do homem aos olhos deste último, vontade de incorporação permanente ao aparelho psíquico do humor negro que, a uma certa temperatura pode ter o papel de válvula, preparação da ordem prática a uma intervenção sobre a vida mítica, que, na maior escala, figura de limpeza. »

15. Michel Zeraffa tentou resumir assim a teoria de Breton : « O cosmos é um criptograma que contém um decriptador: o homem. »

16. Wiener, pai da cibernética, juntou a física probabilística, a filosofia e a neurologia num só. Ele falava de quantidade, hoje o Cyberpunk fala de qualidade.

17. Primeiro a informática era restrita a projectos militares, e primeiro era utilizada para estruturar e organizar. Depois de Wiener começou a revolução do microcomputador, a partir daqui o computador acessível ao indivíduo, então como instrumento intimo de lazer, depois, com a Deusa Internet... cada um de nós pode conquistar o mundo. A Mente é o Caduceu, o Computador o Espelho Mágico.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Interview with "The Papah Female"

"Desire to Ascend"
To taste the light
is the gift of darkness.

Picture from: Phallucifer Babalith
Credits to LuneBleu




Q: Hi Phallucifer, how are you doing today?

P. B. I’m just fine, thank you.

Q: I have some questions for you. Let’s start with your motivations, what are your major sources of inspiration?

P. B. It’s the same with “The Cathedral of Papah Female” album and the “Puscifer Baphomaat” gallery, on weekends I watch the pigs fighting in the mud, biting the trees and I meditate on men living on the city, then I focus on one particular man/woman-pig and I start the artwork process. The “Magickal Maa” music project deals with many different aspects, but I meditate on leaves rotting, they smell much better than human corpses.

Q: I gather that sex is a constant theme on your work. How do you deal with sex and the erotic?

P. B. I believe sex has become a bad thing, and people will always find many ways to face it, because they can’t run away from it. Most of the time they kneel to it and become raging animals. That is nature. Art is my nature. I don’t like women, and I don’t like men. In fact I pretty much hate them, I’d rather have myself filled up with a goat phallus. I deal with sex mostly through art, and I like to bite myself and to bite pretty girls in sensible places. Now as to what should have been happening, the church has a particle of sense and reason there, just as the pagans do, sex should be a celebration of

1 – Freedom

2 – Love

Sex is not a celebration of freedom nowadays, just look at all the bondagers, terrorized by their sex urges, crouched till they become insignificant pricks.

Sex is not a celebration of love nowadays, either, just look at all the couples: they don’t want children. To have a child is more than to bring unto the world another stupid beast, to have a child means the ultimate sacrifice, the one that claims and ascertains that love and care is above all the little caprices of the vile people.

I can satisfy myself with the dead because the dead represent the body surrendered to love, a corpse doesn’t look back, the eyes of a corpse are still, totally in the moment, surrendered.

Mortal men should only let go when in the arms of either Love, or Will, everything else must become tallness through resistance (sex is a great training ground for such a discipline). True anarchism has nothing to do with disorder and punk behaviour, but everything to do with resistance and integrity.


Q: And what about you?

P. B. I am not a mortal man, because I was never born, I was made up and am, therefore, similar to the metaphysical beings that populate the myths. I have no resistance because I am like a river, a creating and a creative force.


Q: I can understand that you have some influences from philosophy, literature and the esoteric sciences, who are your so called “masters” on this playground?

P. B. The problem with philosophy, literature and the esotericism is the self imposed questions, people shouldn’t question themselves, this divides them and makes them weak, it is an affirmation of self doubt. We, as individuals, are the answers, and we evolve by answering others. If we are to put questions, in order to exercise our intelligence, we should do so to others, to understand others. As soon as you fall from this bridge you are to think of dignity first, because your sense of dignity will be that same spot where you left yourself behind. Now stop making stupid questions, please, I have no masters, never will, and I worship everything.

Q: OK, the interview has come to an end. Thank you very much Phallucifer.

P.B. You are welcome. Good bye and may you all be raped by life.




* Algumas das músicas de Phallucifer Babalith podem ser ouvidas aqui.

** Entrevista feita por Horned Wolf.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Speech for Deaf Citizens

O mundo, sobre nós, agiganta-se.

E a nossa pequenez alastra-se.

A canção da manhã escapou-se através do nosso silêncio.

As ruas continuam, e as gentes que as populam, os risos ordinários.

Eu fui sepultado, na cova da tua boca.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Gothic Siamese




Lembram-se delas?
Sempre de mão dada, nunca eram vistas na rua sem ser juntas, e os vultos de mão dada.
Era nas ruas de Lisboa.
Quem falava no gótico falava sempre nelas, e lembrava-se dos seus beijos junto à fonte.
Ainda no tempo da vanguarda.
Será que hoje vivem?
Onde se terão os seus vultos escondido? E será que, seja em que abismo for, as mãos ainda caminham uma na outra?

De certeza que alguém se de lembrar, nas ruas de Lisboa, juntas, elas conquistaram o mundo inteiro, contra o mundo inteiro.



* Imagem de Jessica Walker

**
Cliquem para a primeira festa MOP de 2009, a acontecer amanhã.

terça-feira, 24 de março de 2009

Julius Evola




Para mim a integridade, existe naquele ponto em que os praticantes de artes marciais pressionam os músculos do plexo, e tomam consciência de todo o seu corpo. A Integridade tem de vir do centro, e de ser o centro.

Julius Evola foi uma das minhas maiores influencias no passado, mas esse senhor é dos esoteristas e dos escritores mais manipulativos que já li, quando parece estar a referir-se a uma virtude do espírito, está, na maioria das vezes, a encerrar o homem numa masmorra de grilhões bem preparada, cheia de ideias reforçadas, fascinantes e ofuscantes. Não é uma masmorra escura e aberta aos sentidos como alguns outros gostam de fazer. É uma masmorra cheia de luz artificial que se insere nos olhos como um vírus.

Existe algo de inabalavel de facto no espírito, mas a sua manifestação nos mundos inferiores efectua-se por via de férteis combinações de uma arte espiralica.

É, pelo que me parece a mim, contra as leis da aprendizagem a ideia fixa, e a fide ou a fé aos princípios morais quer do individuo, quer da sociedade, é trocar a Palavra pela palavra: um dom muito presente em Evola.

O problema de Evola é que vem a ser levado de uma forma demasiado politica, ética e moral, e a politica, a ética, e a moral, formas menores de influenciar (menos do que expressar e tocar por mérito do vislumbre espiritual), será sempre lixo agarrado aos ciclos, à mentira da horizontalidade, e à corrupção humana.


PS:
Esta critica afasta-se dos ultimos trabalhos de Julius Evola.
A comprovação de um mestre, que foi sempre mestre, está nos ultimos actos.