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sexta-feira, 20 de março de 2009

Subvulvios






Conduziu-a à cama, para, assim embebida, sonhar, e, sabendo que ia sair o seu amante, Samanta segurou o braço que lhe pertencia. Ele segurou a sua mão. “Não antes de te ter, não desta vez. Se podes, deita-te a meu lado, só até que o sono venha.” E ele, não lhe largando as frágeis mãos, chamou pelo porteiro. Era um homem idoso, mas robusto, de longas barbas e óculos igualmente albinos, perfeitamente redondos. Vestia um casaco longo, castanho, e cinzentas calças largas, presas por uma correia ao casaco. Samanta estava nua, e Ornat pediu que, se agachando, ela afastasse as suas pernas, sorvendo, a sua jóia escarlate, o ar carregado da moradia. Antecipando o que viria, deixou a cabeça ao colo entre as pernas de Ornat e este ordenou ao porteiro que a penetrasse. O mesmo, causando a sua vagarosa erecção, sempre servil, obedeceu. Ela apertou as mãos e soltou um pequeno som, fragilizada por demais. “Se me amas realmente, com certeza saberás saber o meu sabor em todos os homens.” Largou os braços, que se suportaram na cama (como que pregados a uma qualquer cruz de tormento), e abandonou a casa.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Feitiços de Inverno






I
Dói demais, saber que és senão um porquê, os mil braços apagados, olhares em fogo sufocados, amor que já não se vê. Não vai acabar, nós vamos ser sempre o luar, a respiração ofegante de uma noite hesitante onde nenhum de nós decidiu hesitar (a respiração ofegante de uma noite hesitante que nunca quis acabar). A tua mão aperta-me desde o âmago no peito, tu estás morta e eu sou o teu leito. Sou sentir-te perto de mim e tudo decepado e eu um ser mutilado e sem fim. Não vai acabar; vamos ser sempre um coração só e uma luz e uma paixão. Meu corpo é teu cadáver e tu, viva, és tremura de mão.


II
Descrevo a minha descendência de onde parei, descendendo. Que os anjos mortos e sepultados, cegos e estrangulados, cantem, de línguas decepadas, os sopranos ao meu lamento. Ao grito da minha ausência de voz. Os dias que passam são tristezas que barram a minha casca de frio e indiferença. A pior dor é a de não nos ser permitido usar o coração ou sequer tê-lo ou sequer dá-lo. É forçar-nos a desfigura-lo e transforma-lo numa parede sem face e sem expressão, descolorida de tudo. Que vários assassinatos à mão divina e que as legiões lupinas do tempo que perseguem e despedaçam tudo presenciem a minha morte, os brilhares fugazes e impressos da minha morte onde só há o meu escrever.


III
Sou alguém que se arrasta nas ruelas de viver. Sou um sonho que se afasta, nas ruas a perecer…


Trechos retirados de um livro que escrevi ha muito muito tempo, ainda Jesus era Menino e a Morte uma Criança.
Homenagem a Vitany.

Dark Cinderella (Humor para Duendes)



Longínquo no tempo, Cinderella, uma órfã prostituta foi apadrinhada na casa de uma ilustre rainha, cujo marido, conhecido nas artes libertinas, possuía, bastardas, duas esbeltas filhas, presentes na sua corte de horrores nocturnos (ou deveria dizer... prazeres?). Estas suas irmãs de artifício, penteavam e pintavam a menina como se trabalhassem uma boneca de louça. Vestiam-na de boneca, vestido de boneca, sapatinho de boneca, e instigavam a sua depravação adolescente.

Cedo, a Cinderella, de perícia nos seus afazeres, tornou-se na principal serva sexual da corte.

Uma noite, o Rei, cujo vulto de leviandade se agitava e agigantava no reino, e que esperara pacientemente os avanços na arte por parte da sua filha adoptiva, concedeu-lhe a sua cama. E Cinderella dormia com o rei e com a rainha, sempre exposta aos seus desejos e sem o descanso que é próprio a uma jovem.

Cedo, a rainha, ao lume do ciúme, exilou-a, fazendo do seu ninho de sono o curral. Mas Cinderella tinha um coração suado de bondade, e as suas irmãs continuavam a usufruir dos seus serviços. Cinderella agradava, apesar de suja.

"As tuas roupas parecem-se com culotes menstruados" provocava uma, enquanto as removia, "e a tua cara como um balde de lama" a outra, enquanto a beijava. Então elas comeriam os chocolates e observariam enquanto Cinderella lhes lambia a suculência.

Agora, porque as irmãs, ardentes, desejavam o rei e o poder que vem com o rei, envenenaram a sua esposa e, ao escutar as novas da morte da rainha, riram, como as hienas riem, quando na euforia da fome.

O Rei, todavia, não conseguia tirar de si o desgosto, e muito menos emancipar-se nas suas preciosas bastardas. Mandou que se chamasse Cinderella, lavou-a, e depois, na companhia da sedutora, dançou suavemente toda a noite, e permitiu-se o luxo das lágrimas. Quando o seu semblante recuperado, pousou o olhar no da menina, apercebeu-se do significado do seu destino. "Tens de ser tu. Tu substituirás a minha esposa." Despiu-lhe as roupas de boneca e substituiu-as pelas esplendorosas, que vestia a rainha. Deixou para ultimo a coroa, que assentava na perfeição, e depois os sapatos. Mas o pé de Cinderella não cabia. O pavor invadiu a mente poderosa do rei, e depois de cinco minutos de silêncio e reflexão, com a faca, tomou a comedida resolução de cerrar os pés da menina à medida, então encaixando-lhe os sapatos ensopados no jorro quente. Após o primeiro sapato embutido, a rapariga, lamentando-se, conseguiu a fuga.

Deformada e escoando vida, correu pelo reino, não conseguindo apagar de si o terror. O povo falava de uma assombração, um demónio que se disfarçava da falecida rainha, e conversavam alegremente entre si sobre como a haviam apedrejado até ao seu ultimo sopro. Em celebre festa, queimaram pois o seu cadáver.

O Rei casou com uma das suas filhas bastardas e viveram felizes para sempre.




* Imagem de byluluka

Cadáver Sem Nome




It starts once upon a time,
with all the frogs in line,
whispering, singing,
alive and kicking.

All that and...
sincerely awaiting for
the eggs to etch.

I want to fly away
from here and there,
with a cigarette
in my mouth
of sorrow and a weeping throat.


*Cadaver de HornedWolf e pUnChdRuNk-LoVeSiCk