Há um cão que representa todas as estatuetas O silêncio do quarto abala um raio ensurdecedor Mármore entra numa sala munida de chão Uma mulher muito bela está em cabeça de bronze Numa parede incrustada de frente Eu tenho tantas perguntas, e da minha boca Começa a sair um fumo vermelho que cobre O teu rosto.
A cabeça de bronze está muda e queda O abstracto desenha mosaicos no chão Excepto na zona em frente da porta ao fundo Onde a medusa se faz com uma ranhura no topo: O mofo cheira a tragos fortes a iluminação Das velas.
O tecto de pedra desce, aflito, a abrir Uma das portas; gigantescas larvas da areia Cobrem-se de lascas de madeira.
Cada um pega numa foice, molhados pela chuva dourada Permanecemos completamente secos. O chão, brilhante, Espalha-se pelas almofadas e baixas mesas.
Está de pé, de pernas abertas, larga seda, E tem a mão no punho curvo e sexual.
Um cálice dourado entra no quarto, usa uma espécie De chapéu na cabeça, e há um relevo esculpido no Sol: Uma pata mirrada do tamanho da de um macaco.
A escuridão mergulha nas escadas e o rosto A bater no fresco ataca as correntes de humidade intensa: Com as suas masmorras, os olhos ferem o Sol.
De repente, passa uma sombra por cima de ti.
Uma mulher muito bela deitada num sofá de cetim Agita um enorme abano para uma criatura horrorosa E sem cabelo.
O leite é branco como o amarelo dos olhos. A sacerdotisa sorri, dá um estalo com os dedos E o sexo cego precipita-se pela escada abaixo O pavor transforma-se em arrogância E assim nascem filósofos.
A lanterna com uma mão e envolta numa capa Esquiva-se de ti.
É preciso muita coragem, para sobreviver Dentro dos globos oculares.
A pele amarela estica-se muito e espreguiça-se Cobrindo as caveiras.
O poderoso olhar do pensamento abate-se Sobre os débeis fantasmas.
Uma boa iluminação proporciona um lado e o outro Dos archotes.
As tapeçarias e os frescos estão decorados Com paredes.
O lado esquerdo encosta-se a uma delas, semelhante A uma esfinge.
A lua em quarto crescente forma uma piscina que existe Acentua-se um forte cheiro a ervas, Enquanto caminhas.
Ozazeloat - NÃO BEBER!
O fresco de vinte metros de comprimento cobre quase toda a parede A orelha à frente do pincel, as mãos nos godés, estar de pé Ser acima de se ser homem.
Gostas do meu trabalho?
Répteis descarnando crânios tentam deter um exército de homens anões, Fustigados pelos orcos mortos.
Talvez o homem que procuras seja convidado No entanto sei que o templo só chega ao interior Da pintura, depois de atravessar uma cortina de chuva Dourada.
Coça o queixo e pensa que a arte é cruel e infléxivel Todos os artistas trabalham secretamente numa cidade Perdida.
É ela a sacerdotisa do templo, seduziu-te com promessas De riquezas muitas. Ouves choros aflitos e sádicas gargalhadas. Na sala do tesouro vi por exemplo aparecer à minha frente de repente Uma figura envolta numa capa. É pavoroso indagar uma cara Durante alguns segundos, e a morte que te preparou. A morte pôs Qualquer coisa numa caixa dourada e voltou a desaparecer.
Os olhos esbugalhados abandonam a sala juntos Mas a meio do corredor separam-se.
No baixo-relevo da Estela da Vitória, a arte mesopotâmica imortalizou NARAM-SIN que, na cabeça, traz a coroa de chifres, reservada aos deuses
De elmo na cabeça desço as escadas, cautelosamente, Magro, arrepiante, e de roupas andrajosas, tenho os globos Oculares na boca.
Morte e líquido, cortinados adamascados caiem Do tecto até ao chão.
Salas sujas de sangue seco em pó, baldes Baloiçam do tecto pendurados em cordas. O arco baixo com o seu esgravatar com a cabeça preta E longa de um insecto, ossos velhos espalhados Nas lajes de pedra.
É certo que As criaturas pavorosas gostam de se pôr A pairar no ar a impedir todas as passagens Redondas, são possuidoras de olhos tamanhosos Verdes e escamados, cobertos de espinhos Adormecem lançando olhares Um espelho cai e quebra-se.
O olho, vaporoso e tóxico, corrói o chão, O mundo enche-se de orifícios de ventilação Mas preferíamos nunca haver um primeiro sopro.
O homem moderno é sempre alto, semelhante A um réptil, usa armadura e curvatura de espada, Todos guardam, entricheirados, sacos empilhados, A dormir muitos, muito redondos, por solo: Homenzinhos escanzelados e agachados Cobertos por sacos de batata rasgados.
Ah, leitor, para entenderes esta leitura dos templos Basta fazer-te chegar que esta terra esteve abandonada Durante muitos anos, mas aos poucos descoberta por homens E outras criaturas que o abrigo clamou. Costumam atacar As carruagens que passam, à procura de comida: Assim a sacerdotisa e os seus escravos organizam o mundo.
Chiu, a esta altura o corredor desemboca numa lúgubre câmara Onde, de caudas de macaco nos bolsos, dois homens ratazana se entretêm a mascar A carcaça de um duende.
Pára por um momento, e observa a civilização: Um baixo relevo de criaturas horrorosas A ser consumidas pelas chamas, se entrares Descobres uma grande pilha de ossos O covil escuro do negro cão da morte E à medida que rastejas por seus túneis A luz vai desaparecendo até não veres um palmo À frente do nariz.
Vislumbre tardio de luzinhas que dançam Trémulas, na penumbra tunelar Zumbem sonoramente, com o barulho da idade Da electricidade.
A água jorra da boca de uma cabeça de leão A água agita-se quando o monstro se move E já só o horror dos templos nos comove.
Dunas sobre pedras, as mãos sobre o escorpião, Esmagas o crustáceo sob a botas e vasculhas os seus membros Dilacerantes, encontras sacos pequenos de algodão, Brancos e... variados.
Dentro de um frasco de vidro o homem verde ervilha E minúsculo, com asas pontiagudas oferece pulos alegres.
Tira-me daqui. Leitor, tira-me daqui: Eu grito dentro de um frasco transparentes nas entranhas Avolumadas, do lacrau. Quando me ergo para Vos falar, abro-me como um ovo, voo para fora Perscrutando a vossa alegria e cantando inaudivelmente E borrifando-vos a cabeça com um pó brilhante.
Os novos templos são a poesia, a pintura, a infâmia E a heresia.
Se te queres proteger do Sol, leitor, se Pretendes continuar comigo, usa o escorpião do avesso Como lenço para a cabeça. De cabeça e pescoço tapados Caminhas para Sul. E não existe um único ponto Nesta única paisagem, em que possas encontrar uma Sombra.
Não gosto de usar a palavra "embora" nos poemas, Tento distinguir o que encobre a bruma difusa e vislumbro Um muro alto. A pedra encontra-se a menos de um quilómetro de mim Aos saltos, e és tu. Por detrás desse muro erguem-se Ao compasso dos segundos, telhados de torres.
A areia, tomada de paixões pelo vento e assim arrebatada Acumulou o muro até meio. Não existem ou existiram pegadas Fora da imaginação.
Queria uma nascente que me mostrasse Os sonhos que eu perdi, todos, como se A começar, e a vida fosse bela como o teu riso No meu cadente olhar.
Mas a vida foi passando, e a nascente Sempre a brilhar, demorou-me os dias Lentos a passar, os meus olhos roucos Secaram, deixando um burburinho surdo Da pérola do meu peito contra o sonho desfeito.
Não tenho a quem a dar, prefiro os rios, Ficar a imaginar. Nascerão cidades Famílias de braço dado, todo um viver Feliz e amado. Nascerá do outro lado do rio A vida que não tendo e a querendo A mim me consumiu.
Da tua flor a tintura da vida, da tua canção a sombra fresca na terra. Morre a águia e morre o tigre, e cobrirás a pincelagem primeira, da amizade, da nobreza, do amor fraterno, com a sombra negra da terra.
Uma larga plumagem é o teu coração, e de puro jade é a tua palavra, ó Pai!
Tende piedade de mim e sobre mim pousai um olhar misericordioso, porque será por um momento breve, como, em oferta à Mãe Morte, abrem os frutos azuis os corais de flor e canção.
Blood Gatherer
We shall not for ever die; even the grains of corn we put under the earth grow up and become living things.